Aulas de música para quê?

January 20, 2015

Afinal, para quê fazer aula de música? 

 

Essa pergunta tem muito tempo de vida! E desde o século XX estamos tentando elaborar formas de fazer música que não funcione apenas pela lógica cartesiana da vida! Cartesiana porque ainda vivemos relações em que a razão é soberana e assim, mais importante do que o mundo afetivo / subjetivo (vide: penso, logo existo) e isso tem implicações no nosso corpo, em nosso modo de nos movimentarmos, em nossas percepções, afetos e relações sociais. 

Eu e muitos outros defendem então outras vias. A primeira delas é a não separação entre o corpo e o mundo subjetivo, principalmente quando falamos sobre arte, música. E então, o que tudo isso tem a ver com a educação musical?

 

Primeiramente, vale dizer que Dalcroze e muitos outros educadores (que certamente aparecerão por aqui mais a frente) esteve no século passado elaborando modos de aprender música para muito além da cognição. Para além da leitura de partituras. Da matemática da música. Ele iniciou práticas pedagógicas que convocavam o corpo e o movimento como grandes aliados de uma educação mais potente e ampliada. 

 

Assim, aprender música vai para além de aprender tecnicamente um instrumento, as teorias, os contrapontos, regras harmonicas como fins em si mesmos. Tudo isso é, sem dúvida alguma, material básico para todo e qualquer aprendizado musical e deve estar contemplado no processo deste aprendizado. Mas há formas muito interessantes de se fazer isso e de chegar em outras dimensões da vida, e uma delas, bastante potente, ao meu ver,  passa pelo nosso corpo. Pela nossa sensação. Pelo que sentimos e registramos em nossa memória. 

 

Aprendemos a escutar de formas diferentes os sons a nossa volta. A nossa paisagem sonora. Aprendemos a nos expressar para além do verbo e da palavra. Acionamos formas novas ou relembramos jeitos interessantes de estar no mundo. Aprendemos a respirar ampliando cada vez mais nossas capacidades de inspiração e expiração. A tirar o pulso do chão. A sentir o pulso constante. Aprendemos também a construir jeitos de registrar o que quisermos de modo mais criativo. A conhecer canções de outros povos e nações. A conhecer a nossa própria música brasileira, sua história, suas brincadeiras, brincos e parlendas. Recriamos uma identidade cultural com nossa terra. E assim, somos mais criativos também na vida. Aprendemos a tocar junto. A compor. A interpretar sentimentos que muitas vezes nunca sentimos, mas adicionamos novos ao nosso repertório. Aprendemos um novo jeito de nos expressar. Uma nova linguagem que nos ensina sobre nós mesmos.

 

Temos tido tempo para isso? 

 

Como diz Gabriel Fonseca (2014), “(...) nesse mundo dominado pelos conceitos, a música pode funcionar como uma cunha que compensa o desequilíbrio e harmoniza o viver.”

 

Texto elaborado por Larissa Finocchiaro, 2015.

 

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